Antes de qualquer outra consideração, é a estrutura do modelo de negócio que distingue as franquias imobiliárias entre si. Compreender essa estrutura é o que permite avaliar se um modelo se adequa ao tipo de operação que se pretende liderar.

Dois modelos, duas lógicas de organização

De um lado estão as redes de agência tradicional. Aqui, o consultor ou empreendedor abre uma agência com uma localização própria e recruta uma equipa de consultores para essa agência. É um modelo de âmbito mais local, replicável em pequena escala, e pensado para quem quer gerir um ponto de venda.

Do outro lado está o modelo Market Center da Keller Williams. Não é uma agência: é um centro de negócios de grande dimensão, concebido para reunir mais de uma centena de consultores debaixo do mesmo teto, operando com sistemas, formação e tecnologia próprios e partilhados por toda a rede. É um modelo pensado para quem quer liderar uma operação de escala, e não gerir um único ponto de atendimento.

O que distingue estruturalmente os dois modelos

A diferença central não está apenas na dimensão física, mas na lógica de organização:

• Unidade de gestão. Numa agência tradicional, a unidade de gestão é a própria loja. No Market Center, a unidade de gestão é uma plataforma de negócio concebida para escalar, com processos e sistemas replicáveis. • Base de consultores. A agência tradicional organiza-se em torno de uma equipa de dimensão limitada. O Market Center é desenhado para agregar uma base ampla de consultores sob uma estrutura comum de apoio. • Suporte operacional. Numa agência, o suporte é normalmente definido pelo próprio franqueado. No Market Center, o suporte: tecnologia, formação, modelos de atuação, é estruturado centralmente e aplicado de forma consistente em toda a rede. • Papel do franqueado. Numa agência tradicional, o franqueado assume sobretudo o papel de gestor de loja. No modelo Market Center, o franqueado assume o papel de líder de uma operação de escala, apoiado por sistemas e por uma rede de consultores.

Não são modelos diretamente comparáveis: respondem a duas ambições de negócio diferentes.

Componentes a considerar em qualquer modelo

Independentemente da estrutura escolhida, há componentes que fazem parte do funcionamento contínuo de qualquer franquia: • Royalties, entregues à rede, que financiam a marca, a tecnologia e a formação disponibilizadas ao franqueado. • Capital de funcionamento, necessário para sustentar a operação até esta atingir a sua velocidade de cruzeiro. Estes componentes existem em qualquer modelo de franquia; o que varia é a forma como cada rede os estrutura e aplica, em função da sua lógica de organização.

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Perguntas frequentes

Qual a diferença estrutural entre uma agência tradicional e um Market Center?

Uma agência tradicional é um ponto de venda único, gerido pelo franqueado, com uma equipa de consultores associada a essa loja. O Market Center é uma plataforma de negócio de maior escala, concebida para reunir uma base ampla de consultores sob sistemas, formação e tecnologia comuns a toda a rede.

O modelo Market Center substitui a figura da agência?

Sim, estruturalmente. O Market Center não funciona como uma loja tradicional: é uma unidade de negócio organizada em torno de processos replicáveis e de uma rede de consultores.

Que componentes fazem parte do funcionamento de qualquer franquia imobiliária?

Em qualquer modelo, o franqueado deve contar com royalties entregues à rede que financiam marca, tecnologia e formação e com capital de funcionamento para sustentar a operação nas primeiras fases. A forma como estes componentes se estruturam varia consoante o modelo de negócio.

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Eduardo Garcia e Costa
Eduardo Garcia e Costa
Sobre o autor
Regional Owner e Cofounder da KW Portugal

A construir a liderança do imobiliário nacional. Licenciado pelo Instituto Superior Técnico, com 12 anos de consultoria estratégica (McKinsey, Cluster, Europraxis) nos setores das telecomunicações, financeiro e utilities. Há 13 anos tornou-se empreendedor na mediação imobiliária, liderando o grupo que integra a Keller Williams em Portugal, hoje a maior operação KW fora do mercado norte-americano.

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